Interliga-se sujeitos com artigos,
predicativos com preposições,
sons com silêncios,
paz com pavor, com vapor.
suposições com meias-verdades com supostas
conectivos são cognitivos, tudo o mais o é.
Godard me diz que o que é internalizado importa mais que o externo,
eu sou intimista, gosto de quem é,
intimidade de mim é saber que sou chegada a intimidades,
a credulidades sem credo,
a ritos de passageiros entoando cantarolices bobas
a silêncios íntimos,
caduquice mata-me de medo,
meto medo na sanidade
beiro a um ataque de nervos
só quando,
quase quando, quase nunca
tiram-me a paz
e eu fico vendo
que sou ilha do que está quase parado
apavoro-me com esta pressa
fico parada
querendo sair do canto
e não vai
odeio janeiro
com toda a força da alegria dos outros 11 meses
adoro ver a banda passar
e fico aflita com o que vem depois
mas me conformo
conformizo
relativizo
até ver que do canto tenho que sair,
que de canto ninguém vive pela manhã,
eu adoro as manhãs e pegar 10 minutos de Sol
animam o corpo
Vou para o meio,
encontro todos que não estiverem de canto nem atrás da porta.
Aqui também tem janelas.
Abriguei-me e vi que algumas telhas mereciam ser quebradas para que eu visse o céu, visse aqueles pontos brancos na escuridão. Esse espaço pretende trazer de impressões a sensações, de versos a avessos.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Ode
Funesto, de tão lento e arrogante
Pesado, parado, prejudicial
Pouco caso, para quase tudo,
Quase nada, querendo ser tudo
E era só uma gente, uma delas,
só
Empatando as entradas, as saídas
Dando nó.
Era meio caminho andado, pra nada andar
Meia palha seca, sem puder se queimar
O resto verde, separarei do seco e direi que deve estar vivo,
Estará
Até a palha desabar.
Coqueiro é coisa boa pra se gostar
Pensar que cada aba de seu troco foi folha
É pensar que nada passa à toa,
Tudo é destas coisas que ficam,
mesmo indo.
Pesado, parado, prejudicial
Pouco caso, para quase tudo,
Quase nada, querendo ser tudo
E era só uma gente, uma delas,
só
Empatando as entradas, as saídas
Dando nó.
Era meio caminho andado, pra nada andar
Meia palha seca, sem puder se queimar
O resto verde, separarei do seco e direi que deve estar vivo,
Estará
Até a palha desabar.
Coqueiro é coisa boa pra se gostar
Pensar que cada aba de seu troco foi folha
É pensar que nada passa à toa,
Tudo é destas coisas que ficam,
mesmo indo.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Colando memórias
-De tudo que sou, de toda a minha vida
-Adorarei
-o Verbo
-está no céu, está mar, na extensão do infinito
-Ó verbo
-sopra sobre o que mim está morto
Pronto:
-Ressuscitou.
Palavrear é para todos e para várias direções.
-Adorarei
-o Verbo
-está no céu, está mar, na extensão do infinito
-Ó verbo
-sopra sobre o que mim está morto
Pronto:
-Ressuscitou.
Palavrear é para todos e para várias direções.
Luz e meia
A meia-luz os contornos se sensualizam,
as saídas ficam escuras,
o retorno é coisa não vista,
lençol branco fica amarelo-sombra,
a linha preta que separa qualquer coisa do ar, vira ar,
falta ar,
sobra água,
(suspiro)
Tocaram-se e fizeram de sua meia vontade
o que uma vontade inteira poderia causar,
Mas a ternura também cansa.
as saídas ficam escuras,
o retorno é coisa não vista,
lençol branco fica amarelo-sombra,
a linha preta que separa qualquer coisa do ar, vira ar,
falta ar,
sobra água,
(suspiro)
Tocaram-se e fizeram de sua meia vontade
o que uma vontade inteira poderia causar,
Mas a ternura também cansa.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Me refiro ao tempo
Ele acena pra nós de pulso preso a ponteiros que fingem sair do lugar,
O relógio tem frequência, batimento,
quer nos enganar
fazendo-se parecer com o que nos oxigena.
O tempo não sai do canto,
não é fragmento,
não nos retém, nem se aglomera
Tempo dissolve-se feito espuma de areia,
ou pedaços de luz
Não se apaga, apaga
paga e esconde a conta.
A ponta do tempo aponta sempre pros mesmos números,
um, meia-dúzia, uma dúzia
a ponta aponta,
arrodeia,
Engrenagem.
Começo e final são o mesmo,
Tempo é coisa indiferente.
O relógio tem frequência, batimento,
quer nos enganar
fazendo-se parecer com o que nos oxigena.
O tempo não sai do canto,
não é fragmento,
não nos retém, nem se aglomera
Tempo dissolve-se feito espuma de areia,
ou pedaços de luz
Não se apaga, apaga
paga e esconde a conta.
A ponta do tempo aponta sempre pros mesmos números,
um, meia-dúzia, uma dúzia
a ponta aponta,
arrodeia,
Engrenagem.
Começo e final são o mesmo,
Tempo é coisa indiferente.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Desesperai-vos
Acorde todo dia de manhã, com o Sol já conseguindo abafar seu sonho, tornando-o pesadelo,
Desça escadas com fome, encontre geladeira sem ordem, com muito e nada.
Beba a mesma água de sempre, em goles barulhentos, porque não há companhia pra lhe medir,
Pise seus pés compridos sobre pétalas de flores brancas,
Macio.
Siga à almofada, cadeira branca sob onça,
o vermelho é onde ficam os pés.
E comece
Digira, ouse, tenha fé.
Tenha medo de fazer, porque você sabe que quando faz algo é pra valer,
Tenha medo de acertar demais,
De propor coisas que nunca se havia pensado antes,
Tenha medo do sono,
das spiders que se escondem aqui e ali.
tenha medo da má sorte de ouvir o sacerdote das lamúrias.
Faça, mas só faça até você terminar
E tenha medo de engordar, de enfeiar, de surtar,
Só não me venha com este medo de ousar.
Ouse e vá à praia,
de preferência àquela no meio de pessoas simples,
aquilo faz tua alma bem.
Ouse para todos os lados, para cima e em cima.
Goze, ame, acorde com quem lhe apoia,
Deixe as palavras para o papel e os gestos para a vida,
Precipite-se junto com as águas e faça as palavras molharem,
porque elas aguçam sentidos e enxarcam a alma,
explicam o mundo
e tangenciam a sanidade
Não pare
Desespere-se.
Risque, amace, apague, isto tudo é papel,
é coisa reciclável.
Desça escadas com fome, encontre geladeira sem ordem, com muito e nada.
Beba a mesma água de sempre, em goles barulhentos, porque não há companhia pra lhe medir,
Pise seus pés compridos sobre pétalas de flores brancas,
Macio.
Siga à almofada, cadeira branca sob onça,
o vermelho é onde ficam os pés.
E comece
Digira, ouse, tenha fé.
Tenha medo de fazer, porque você sabe que quando faz algo é pra valer,
Tenha medo de acertar demais,
De propor coisas que nunca se havia pensado antes,
Tenha medo do sono,
das spiders que se escondem aqui e ali.
tenha medo da má sorte de ouvir o sacerdote das lamúrias.
Faça, mas só faça até você terminar
E tenha medo de engordar, de enfeiar, de surtar,
Só não me venha com este medo de ousar.
Ouse e vá à praia,
de preferência àquela no meio de pessoas simples,
aquilo faz tua alma bem.
Ouse para todos os lados, para cima e em cima.
Goze, ame, acorde com quem lhe apoia,
Deixe as palavras para o papel e os gestos para a vida,
Precipite-se junto com as águas e faça as palavras molharem,
porque elas aguçam sentidos e enxarcam a alma,
explicam o mundo
e tangenciam a sanidade
Não pare
Desespere-se.
Risque, amace, apague, isto tudo é papel,
é coisa reciclável.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sobre dedos
Ele se encostou na parede fria e branca bem ao meu lado.
Sua estatura era quase a minha, sendo menor duas unidades de dedo.
Tu tá acompanhando alguém?
Não, vim arrumar meu dedo. É só uma besteirinha, mas não consegui atendimento em outro hospital, acabei vindo aqui mesmo.
Calados, olhávamos um homem que sentado segurava o braço de extremidade ensanguentada, havia perdido duas unidades de dedo numa máquina.
A impressão que eu tive é que a máquina era tão íntima da violência às garras de quem a utilizava, que ninguém nem lembrava de dizer que máquina era aquela. Era a máquina. Implícito ficava: aquela que sempre corta dedo.
A máquina demonstrou seu potencial destruidor na fala da mulher, a mulher do homem que esperava suturar o que sobrou dos seus dois dedos.
Quando falei que achava incomum algumas pessoas adaptarem-se a um contexto tão vermelho, ela veio dizer que sempre trazia muitos homens cortados. Eles se cortam na máquina e eu sempre os trago. Acostumei. Aquele dia fora seu esposo.
O rapaz de verde, com a insígnia nas costas de Zelador, atentava pra minha conversa besta de quem cortou o dedo e sangrou pouco. Me cortava, sem me fazer precisar de pontos, demonstrando que era uma pessoa que já viu muito sangue ser derramado. Ontem mesmo foi um cara que levou uma facada, o ar saia de dentro do buraco. Eu dizia eca, seguido de um ‘já chega deste papo’ simpático.
Sangue seco era ao que o homem barbado, encoberto de pobreza cheirava. Ele veio e dividiu o corredor conosco. Eu, sem suportar o cheiro, encostei meu olhar numa grande instalação, um aparelho de qualquer coisa indispensável ao funcionamento do hospital. Por causa do cheiro nauseante, lembrei-me muito bem que sou pessoa muito curiosa. Passei os muitos minutos, enquanto aguardava a ausência do homem, olhando atenciosamente os botões multicoloridos do canto do corredor. Isso ou o vômito.
Observei, sobre a moça que aguardava na maca o atendimento, que suspeitavam de traumatismo craniano (TCE). Daquele lado, ouviam-se os relatos do recém sofrimento. Este tipo de fala doída era o que mais se escutava. Todos queriam relatar as lástimas das dores sofridas.
Eu já queria ir embora. O dedo milagrosamente curou-se em instantes e eu parti. Convencida que viver produz muito sofrimento, mas antes da morte tudo sara.
Sua estatura era quase a minha, sendo menor duas unidades de dedo.
Tu tá acompanhando alguém?
Não, vim arrumar meu dedo. É só uma besteirinha, mas não consegui atendimento em outro hospital, acabei vindo aqui mesmo.
Calados, olhávamos um homem que sentado segurava o braço de extremidade ensanguentada, havia perdido duas unidades de dedo numa máquina.
A impressão que eu tive é que a máquina era tão íntima da violência às garras de quem a utilizava, que ninguém nem lembrava de dizer que máquina era aquela. Era a máquina. Implícito ficava: aquela que sempre corta dedo.
A máquina demonstrou seu potencial destruidor na fala da mulher, a mulher do homem que esperava suturar o que sobrou dos seus dois dedos.
Quando falei que achava incomum algumas pessoas adaptarem-se a um contexto tão vermelho, ela veio dizer que sempre trazia muitos homens cortados. Eles se cortam na máquina e eu sempre os trago. Acostumei. Aquele dia fora seu esposo.
O rapaz de verde, com a insígnia nas costas de Zelador, atentava pra minha conversa besta de quem cortou o dedo e sangrou pouco. Me cortava, sem me fazer precisar de pontos, demonstrando que era uma pessoa que já viu muito sangue ser derramado. Ontem mesmo foi um cara que levou uma facada, o ar saia de dentro do buraco. Eu dizia eca, seguido de um ‘já chega deste papo’ simpático.
Sangue seco era ao que o homem barbado, encoberto de pobreza cheirava. Ele veio e dividiu o corredor conosco. Eu, sem suportar o cheiro, encostei meu olhar numa grande instalação, um aparelho de qualquer coisa indispensável ao funcionamento do hospital. Por causa do cheiro nauseante, lembrei-me muito bem que sou pessoa muito curiosa. Passei os muitos minutos, enquanto aguardava a ausência do homem, olhando atenciosamente os botões multicoloridos do canto do corredor. Isso ou o vômito.
Observei, sobre a moça que aguardava na maca o atendimento, que suspeitavam de traumatismo craniano (TCE). Daquele lado, ouviam-se os relatos do recém sofrimento. Este tipo de fala doída era o que mais se escutava. Todos queriam relatar as lástimas das dores sofridas.
Eu já queria ir embora. O dedo milagrosamente curou-se em instantes e eu parti. Convencida que viver produz muito sofrimento, mas antes da morte tudo sara.
Assinar:
Postagens (Atom)